Governo desbloqueia R$ 5,7 bi do Orçamento de 2026
O Orçamento de 2026 terá um desbloqueio de R$ 5,7 bilhões de gastos não obrigatórios, informaram há pouco os Ministérios da Fazenda e do Planejamento. O valor consta do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento enviado ao Congresso a cada dois meses que orienta a execução do Orçamento.

Com o desbloqueio, o total de recursos bloqueados em 2026 cai de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões. Os bloqueios são necessários para cumprir o limite de gastos do arcabouço fiscal, que prevê crescimento dos gastos até 2,5% acima da inflação para este ano.
Segundo os Ministérios da Fazenda e do Planejamento, o desbloqueio ocorreu principalmente porque a estimativa de vários gastos obrigatórios foi revista para baixo, abrindo espaço para o governo liberar gastos não-obrigatórios.
As principais despesas obrigatórias, cujas estimativas diminuíram em relação ao bimestre anterior são as seguintes:
• Pessoal e encargos sociais: -R$ 4,2 bilhões;
• Benefícios previdenciários: -R$ 3,2 bilhões;
• Benefício de Prestação Continuada (BPC): -R$ 3,2 bilhões;
• Demais despesas: -R$ 100 milhões.
Em contrapartida, o relatório aumentou a previsão dos seguintes gastos obrigatórios:
• Despesas obrigatórios com controle de fluxo (gastos com saúde): +R$ 3,4 bilhões
• Abono e seguro-desemprego (defeso para pescadores): +R$ 1,6 bilhão.
Superávit primário
Pela terceira vez seguida, o relatório não trouxe previsão de contingenciamento, recursos bloqueados temporariamente para cumprir a meta de resultado primário, resultado das contas do governo antes do pagamento da dívida pública.
Segundo os dois ministérios, a projeção de superávit primário neste ano aumentou de R$ 4,1 bilhões para R$ 10,8 bilhões.
O resultado foi possível por causa do aumento da estimativa para as receitas líquidas em R$ 12,3 bilhões em 2026. A previsão para as despesas primárias neste ano subiu R$ 4 bilhões. A estimativa de gastos que podem ser deduzidos da meta de resultado primário caiu em R$ 1,6 bilhão.
Essa conta, no entanto, desconsidera o pagamento de precatórios (dívidas da União com sentença judicial definitiva) e de alguns gastos com saúde, educação e defesa. Com a inclusão dessas despesas, a previsão de déficit primário em 2026 caiu de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões.
Embora a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 estabeleça meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões, 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), a equipe econômica considerou o limite inferior de tolerância, que permite déficit zero para este ano. Com o superávit previsto de R$ 10,8 bilhões (pelos critérios do arcabouço fiscal), não é necessário contingenciar o Orçamento.
O desbloqueio adicional dos R$ 5,7 bilhões será detalhado até o próximo dia 30, quando o governo publicar um decreto presidencial com os limites de empenho (autorização de gastos) por ministérios e órgãos federais). Fonte: Agência Brasil
Com precatórios, previsão de déficit primário soma R$ 52 bilhões
A queda na previsão de gastos obrigatórios fez a estimativa total de déficit primário para este ano cair de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões. A previsão consta do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que orienta a execução do Orçamento, enviado nesta sexta-feira (24) ao Congresso Nacional.

O déficit primário representa o resultado negativo das contas do governo sem o pagamento dos juros da dívida pública. A estimativa considera os precatórios, que estão fora da meta fiscal até este ano após acordo fechado em 2023 com o Supremo Tribunal Federal (STF). Também há alguns gastos com defesa, saúde e educação excluídos da meta por lei.
Ao incluir os precatórios e as despesas fora do arcabouço fiscal, a previsão de gastos excluídos da meta de resultado primário está em R$ 62,8 bilhões, contra R$ 64,4 bilhões no relatório anterior. A estimativa de déficit primário total impacta diretamente o endividamento do governo.
Ao excluir os precatórios e as exceções do arcabouço fiscal, no entanto, o governo prevê superávit primário de R$ 10,8 bilhões. O superávit primário representa a economia de gastos do governo para pagar os juros da dívida pública.
Por causa dessa previsão de superávit, o governo não contingenciou verbas no Orçamento deste ano. Neste relatório, os Ministérios da Fazenda e do Planejamento desbloquearam R$ 5,7 bilhões.
Esse bloqueio é necessário para cumprir os limites de gastos do arcabouço fiscal, mas não está relacionado à meta de resultado primário. Com a liberação dos R$ 5,7 bilhões, o total bloqueado do Orçamento de 2026 caiu de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões.
Despesas
O relatório bimestral prevê alta de R$ 12,3 bilhões nas receitas líquidas em relação ao valor aprovado no Orçamento de 2026, decorrentes principalmente do aumento na estimativa da arrecadação do Imposto de Renda, originária do crescimento da inflação após o início da guerra no Oriente Médio.
A equipe econômica também estima um aumento de R$ 4 bilhões nas despesas totais.
Esse montante foi obtido da seguinte forma:
- –R$ 2,9 bilhões de gastos obrigatórios;
- +R$ 6,9 bilhões de gastos discricionários (não obrigatórios, dos quais R$ 5,7 bilhões vêm do desbloqueio.
Em relação aos gastos obrigatórios, as principais variações de despesas foram os seguintes:
- Despesas obrigatórios com controle de fluxo (gastos com saúde): +R$ 3,4 bilhões
- Abono e seguro-desemprego (defeso para pescadores): +R$ 1,6 bilhão.
- Pessoal e encargos sociais: -R$ 4,2 bilhões;
- Benefícios previdenciários: -R$ 3,2 bilhões;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC): -R$ 3,2 bilhões;
- Demais despesas: -R$ 100 milhões.
Receitas administradas
Do lado das receitas administradas pelo Fisco, que representam os tributos, as principais variações foram as seguintes:
- Imposto de Renda: +R$ 12,7 bilhões (influenciado pela inflação e pelo desempenho de determinados setores da economia);
- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins): +R$ 5,6 bilhões;
- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL): +R$ 4,8 bilhões;
- Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI): +R$ 4,4 bilhão.
Ao descontar as transferências para os estados e municípios, que aumentarão R$ 7 bilhões, a alta total das receitas líquidas ficou em R$ 12,3 bilhões.
Receitas não administradas
Em relação às receitas não administradas pela Receita Federal, o relatório reduziu a estimativa em R$ 4,3 bilhões. As principais variações foram as seguintes:
- Receitas próprias e de convênios: +R$ 600 milhões;
- Dividendos de estatais: +R$ 100 milhões;
- Contribuição do salário-educação: -R$ 500 milhões;
- Exploração de recursos naturais (royalties): -R$ 400 milhões, com redução da estimativa do preço médio do barril de petróleo de US$ 91,25 para US$ 79,16;
- Concessões: -R$ 100 milhões;
- Outras receitas não administradas: -R$ 4,1 bilhões. Fonte: Agência Brasil
Tarifa de 37,5% atingirá quase 4 mil produtos brasileiros, estima CNI
A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos fará com que 3.985 produtos brasileiros passem a enfrentar uma tributação total de 37,5% para entrar no mercado estadunidense, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a entidade, a nova medida alcançará US$ 12,4 bilhões, o equivalente a 29,4% de todas as vendas do Brasil aos Estados Unidos. As novas tarifas entram em vigor nesta sexta-feira (24).
O levantamento da CNI detalha como a nova tarifa de 12,5% será aplicada sobre os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos:
- 4.060 produtos brasileiros serão atingidos pela nova sobretaxa;
- 3.985 produtos já estavam sujeitos à tarifa adicional de 25% e agora passarão a pagar 37,5% no total;
- Esse grupo representa 80,7% das exportações afetadas, o equivalente a US$ 10,8 bilhões;
- Outros 75 produtos, que somam US$ 1,6 bilhão em exportações, serão tributados apenas pela nova alíquota de 12,5%, sem incidência da tarifa anterior.
Impacto maior
No total, a CNI calcula que 48,7% de todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passarão a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional imposta pelo governo estadunidense.
As novas cobranças decorrem da investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, que concluiu que o Brasil e outros países não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
>> Governo brasileiro contesta e chama tarifas de indevidas.
Defesa do Brasil
Na avaliação da CNI, porém, as justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não refletem a realidade brasileira.
A entidade afirma que o país possui uma das legislações mais modernas para prevenir, combater e erradicar o trabalho forçado ao longo das cadeias produtivas.
Segundo a confederação, o arcabouço jurídico brasileiro prevê mecanismos de fiscalização, responsabilização e proteção aos trabalhadores reconhecidos internacionalmente.
Negociação
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a intensificação das negociações entre os governos brasileiro e estadunidense, para tentar reduzir os impactos sobre a indústria.
“É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas”, destacou.
Segundo Alban, a entidade já mantém conversas com o governo federal e com os setores mais afetados para construir medidas de curto prazo.
Investigação comercial
A investigação conduzida pelos Estados Unidos alcançou 60 parceiros comerciais. Na decisão final, o Brasil foi incluído entre os países que, na avaliação do governo estadunidense, “não conseguiram impor nem aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.
A medida resultou na aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras, que, em muitos casos, será somada à sobretaxa de 25% em vigor desde esta semana. Fonte: Agência Brasil
PAES 2027: inscrições para o vestibular da Uema terminam nesta sexta-feira (24)
Terminam, nesta sexta-feira (24), as inscrições para o Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior (PAES 2027), da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Ao todo, são oferecidas 5.680 vagas em cursos presenciais de graduação.
Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela internet, no site oficial da instituição. A taxa de inscrição custa R$ 85 e poderá ser paga até segunda-feira (27).
Do total de vagas, 4.755 estão distribuídas entre os 20 campi da Uema, enquanto outras 925 são destinadas aos três campi da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UemaSul).
As provas do PAES 2027 serão aplicadas em etapa única no dia 22 de novembro, das 13h30 às 18h30. O exame será composto por questões objetivas de múltipla escolha e uma produção textual.
- Clique aqui e acesse a página de inscrição
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Na Região Tocantina, dois novos cursos passam a integrar a oferta da UemaSul: Bacharelado em Inteligência Artificial e Bacharelado em Psicologia.
Também houve aumento no número de vagas para o Curso de Formação de Oficiais (CFO). Serão oferecidas 40 vagas para os quadros masculino e feminino da Polícia Militar do Maranhão (PMMA) e 25 vagas para o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA). Fonte: G1-MA
Pistola de oficial dos Bombeiros é apreendida com suspeitos mortos em confronto com a PM no MA
Uma pistola pertencente a um tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) foi apreendida pela Polícia Militar durante uma operação que terminou com três homens mortos em confronto no município de Viana, na Baixada Maranhense. Segundo o CBMMA, a arma é de propriedade particular do oficial e o caso será investigado.
O confronto aconteceu na tarde de quarta-feira (22), no bairro Campo Novo, durante uma ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e do 36º Batalhão da Polícia Militar.
A operação foi realizada após levantamentos sobre o paradeiro de dois suspeitos de envolvimento na morte da grávida Samira Costa Correia e do filho dela, Yan Kaleb Costa Santos, encontrados mortos e carbonizados no povoado Olho D’Água dos Bodes, na zona rural de São João Batista, no dia 10 de julho.
Segundo a Polícia Militar, equipes de inteligência identificaram que dois integrantes de um grupo criminoso, conhecidos pelos apelidos de “PL da Camboa” e “Gerente”, também chamado de “Paulinho”, ambos com mandados de prisão em aberto, estariam escondidos em uma residência em Viana e planejavam se deslocar para São Luís.
Durante a chegada dos policiais ao imóvel, os militares afirmam que foram recebidos a tiros pelos suspeitos. Houve reação e, após o confronto, três homens que estavam no local foram baleados. Eles chegaram a ser socorridos e encaminhados para atendimento médico, mas não resistiram aos ferimentos.
Ainda segundo a PM, antes do confronto, um homem apontado pelas investigações como possível integrante do grupo criminoso foi localizado e preso pelas equipes policiais. Já os dois alvos da operação, “PL da Camboa” e “Gerente”, conseguiram fugir durante a ação. A Polícia Militar informou que as buscas pelos suspeitos continuam.
No local do confronto, foram apreendidas três pistolas calibre 9 mm, munições, carregadores, uma motocicleta, uma balança de precisão, um simulacro de arma de fogo e outros materiais. Entre as armas recolhidas estava uma pistola Taurus G3 Toro, calibre 9 mm, com capacidade para 17 munições no carregador e uma na câmara.
De acordo com a Polícia Militar, após consulta aos sistemas de segurança, foi constatado que a pistola está cadastrada como pertencente a um tenente-coronel bombeiro militar.
Questionado se o militar continua na posse legal da pistola ou se havia comunicado seu extravio, furto ou roubo às autoridades competentes, o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão informou que a arma apreendida é de propriedade particular do oficial.
A corporação disse, ainda, que instaurou procedimento para apurar as circunstâncias envolvendo a arma e que, caso seja comprovado algum desvio de conduta por parte do militar, serão adotadas as medidas disciplinares e penais previstas na legislação. Fonte: G1-MA
Abertas as inscrições para concurso de investigador da Polícia Civil do Maranhão; são 357 vagas imediatas
Estão abertas as inscrições para o concurso público de investigador da Polícia Civil do Maranhão. Estão sendo oferecidas 357 vagas imediatas e 714 oportunidades em cadastro, com remuneração inicial de R$ 6.514,30. A jornada de trabalho será de 40 horas semanais.
O concurso é organizados pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos, o Cebraspe.
As inscrições vão de 24 de julho a 24 de agosto, pela internet. As provas estão previstas para 6 de dezembro.
Das vagas imediatas, 250 são destinadas à ampla concorrência, 36 a pessoas com deficiência e 71 a candidatos negros.
O cadastro de reserva é formado por:
- 499 candidatos da ampla concorrência;
- 72 pessoas com deficiência;
- 143 candidatos negros.
Entre as funções do oficial investigador estão atividades de apuração, procedimentos cartorários, obtenção e análise de dados, operações de inteligência e execução de ações investigativas.
O trabalho será realizado sob determinação ou coordenação de um delegado de polícia.
A lotação dos aprovados dependerá da classificação no concurso e da disponibilidade de vagas. As unidades de exercício deverão ser informadas ao final do curso de formação ou na divulgação do resultado definitivo.
Quem pode participar do concurso para investigador
Para concorrer ao cargo, o candidato deverá ter diploma de curso superior em qualquer área de formação, emitido por instituição reconhecida pelo Ministério da Educação.
Também será exigida Carteira Nacional de Habilitação válida na categoria B.
Além disso, o candidato deverá:
- ter pelo menos 18 anos na data da posse;
- estar em dia com as obrigações eleitorais;
- estar regular com as obrigações militares, no caso dos homens;
- ser considerado física e mentalmente apto para exercer o cargo.
Inscrições
As inscrições estarão abertas das 10h de 24 de julho até as 18h de 24 de agosto de 2026, considerando o horário oficial de Brasília.
Ministro chama tarifa dos EUA de “indevida” e promete reação
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, classificou como “indevida” a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que a medida se baseia em argumentos que “não são reais”.

Segundo ele, o governo brasileiro buscará reverter a decisão por meio de negociações, mas não descarta adotar medidas de reciprocidade.
A alíquota entra em vigor nesta sexta-feira (24) e, para parte das exportações brasileiras, será somada à tarifa de 25% que começou a valer nesta semana.
Brasil contesta
Márcio Elias Rosa afirmou que o Brasil possui uma política consolidada de combate ao trabalho escravo e rejeitou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos.
“O Brasil tem compromissos históricos com o combate ao trabalho forçado, com a prevenção, o controle, a fiscalização e o acolhimento das vítimas. O Brasil é signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho. Não abona nem apoia essa prática e, mais do que isso, tem compromisso com os direitos humanos e com o trabalho digno”, declarou o ministro em entrevista coletiva esta noite.
Para o ministro, a nova tarifa foi construída sobre uma premissa equivocada.
“É uma tarifa indevida, baseada em fatos que não são reais”, acrescentou.
Setores afetados
Apesar de uma extensa lista de produtos isentos das novas tarifas, o ministro afirmou que diversos setores da indústria brasileira serão atingidos pela cobrança acumulada de 37,5%.
“Lamentavelmente, muitos setores estarão sujeitos à dupla tributação, à dupla taxação, como é o caso, por exemplo, de calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos que não sejam farmacêuticos. Para esses, infelizmente, a tarifa passa a ser de 37,5%”, destacou.
Segundo o MDIC, produtos como carne bovina, café, suco de laranja e frutas permanecem fora tanto da tarifa de 25% quanto da nova sobretaxa de 12,5%.
Ao todo, cerca de 2 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos ficaram isentos das duas medidas.
O MDIC informou que ainda não existe ainda uma lista completa dos produtos que sofrerão dupla tarifação. Segundo a pasta, o governo continuará nos próximos dias a fazer o levantamento de todos os itens afetados simultaneamente pelas sobretaxas de 25% e de 12,5%.
Negociação primeiro
O ministro afirmou que o governo brasileiro continuará priorizando o diálogo com Washington para tentar reverter as tarifas.
Ao mesmo tempo, ressaltou que o país não abrirá mão dos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada neste ano para permitir resposta a medidas comerciais consideradas injustificadas.
“O Brasil não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira e os interesses do Brasil”, disse.
Segundo ele, a adoção de eventuais medidas dependerá da evolução das negociações.
“O momento e a forma de fazê-lo é que o tempo vai determinar. É óbvio que o interesse primário é negociar. É óbvio que o objetivo é evitar e afastar essas tarifas, porque elas são extremamente injustas e muito danosas”, afirmou.
Próximos passos
De acordo com Márcio Elias Rosa, a prioridade do governo neste momento é apoiar os setores mais afetados pelas tarifas, ampliar a busca por novos mercados e preparar a estratégia jurídica e diplomática do Brasil.
O ministro informou que o governo pretende retomar as conversas com as autoridades americanas no próximo mês, após concluir o levantamento dos impactos da nova medida sobre as exportações brasileiras.
Enquanto isso, empresas atingidas poderão contar com recursos do programa Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito para capital de giro, investimentos, inovação e abertura de novos mercados. Fonte: Agência Brasil
EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24).

A nova tarifa substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o último dia 22. Com isso, parte das exportações do Brasil para o mercado estadunidense poderá enfrentar tributação de até 37,5%.
A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Motivação
Segundo o governo estadunidense, o Brasil integra o grupo de 54 países que não proíbem nem fiscalizam de forma efetiva a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados internos.
Na avaliação do USTR, essa falha cria uma vantagem competitiva indevida, ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos menores.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a prática prejudica empresas e trabalhadores estadunidenses.
“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual”, destacou Greer em comunicado.
Produtos
O relatório afirma que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos:
- alumínio;
- algodão;
- eletrônicos;
- baterias de lítio;
- tabaco.
Segundo o USTR, esses produtos poderiam entrar no mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos e, posteriormente, influenciar a competitividade das exportações nacionais.
O documento também menciona que, embora o Brasil participe de acordos internacionais de combate ao trabalho escravo e mantenha a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, o país não detém, na avaliação dos Estados Unidos, mecanismos considerados suficientes para impedir a importação desses bens.
Países
A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos.
Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.
Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em outra categoria e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA.
Tarifa
A nova medida se soma à tarifa de 25% aplicada nesta semana sobre parte das exportações brasileiras, resultado de outra investigação conduzida pelo USTR.
Nesse processo, o governo estadunidense acusou o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais, citando questões como acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e políticas comerciais preferenciais.
Com a nova decisão, empresas brasileiras poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5% em parte das exportações destinadas aos Estados Unidos.
As novas tarifas anunciadas nesta quinta substituem a taxa global de 10% anunciada por Trump em fevereiro deste ano. Na ocasião, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as “tarifas recíprocas” impostas pelo presidente estadunidense no ano passado.
Reação brasileira
Em nota, o governo brasileiro criticou a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos e classificou a medida como “arbitrária” e “injustificada”. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.
O texto também informa que o governo pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo brasileiro já havia contestado as conclusões da investigação. Em manifestação anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que eventuais sanções seriam desproporcionais e defendeu que o país mantém legislação e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.
Segundo o chanceler, o Brasil dispõe de mecanismos de fiscalização e cooperação internacional para impedir a circulação de produtos produzidos em condições análogas à escravidão.
Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas pelas tarifas americanas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados. Fonte: Agência Brasil
Ex-secretário de Saúde de Mata Roma é condenado por fraude em dados do SUS
A Justiça Federal condenou o ex-secretário municipal de Saúde de Mata Roma, no Maranhão, por improbidade administrativa devido à participação em uma fraude nos registros de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o município informou a realização de milhares de procedimentos de reabilitação em pacientes com sequelas da Covid-19. Os registros irregulares teriam feito Mata Roma receber indevidamente recursos federais destinados a esse tipo de tratamento.
O nome do ex-secretário e as punições aplicadas pela Justiça não foram informados no material divulgado.
Investigação começou em 2022
A condenação atendeu a um pedido do MPF, que começou a investigar o caso em 2022. As apurações foram baseadas em auditorias do Ministério da Saúde e em relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU).
Os documentos apontaram indícios de manipulação nos registros de atendimentos de reabilitação de pacientes com sequelas da Covid-19.
As auditorias também identificaram uma concentração considerada incomum de recursos no Maranhão. Dos cerca de R$ 21 milhões repassados pelo governo federal a municípios de todo o país, aproximadamente R$ 19,7 milhões foram destinados a cidades maranhenses. O valor representa 93,3% do total.
Número de pacientes chamou a atenção
Durante a investigação, o MPF constatou que Mata Roma registrou no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) o atendimento de 695 pacientes entre janeiro e abril de 2022.
O número era maior que o total de moradores do município que haviam contraído Covid-19 no mesmo período, segundo as investigações.
Somente em março de 2022, a prefeitura informou ao sistema a realização de 16.020 procedimentos.
De acordo com cálculos da CGU, para cumprir esse volume, cada fisioterapeuta teria que atender cerca de 267 pacientes por dia. Cada sessão duraria, em média, apenas cinco minutos.
Documentos não comprovavam atendimentos
A fiscalização também encontrou diferenças entre as informações lançadas no sistema e os documentos apresentados pelo município.
Foram localizadas apenas 117 fichas, que comprovavam 465 procedimentos. No entanto, o SIA/SUS apontava a realização de 34.280 atendimentos ao longo de 2022.
Segundo a CGU, a documentação apresentada não era suficiente para comprovar os procedimentos informados ao SUS.
O MPF também ouviu pacientes que apareciam nos registros. Alguns disseram que nunca fizeram tratamento para sequelas da Covid-19.
Eles afirmaram que as sessões de fisioterapia recebidas eram destinadas ao tratamento de outros problemas de saúde, como dores na coluna e hérnia de disco.
A investigação identificou ainda o nome de um paciente que morreu em janeiro de 2022, mas continuou aparecendo no sistema como beneficiário de atendimentos até abril daquele ano.
Fisioterapeutas que trabalhavam no município também prestaram depoimento. Eles disseram ter atendido poucos pacientes com sequelas da Covid-19. Alguns afirmaram que nunca realizaram esse tipo de procedimento.
Arquivos eram enviados pelo ex-secretário
Uma sindicância aberta pela Prefeitura de Mata Roma concluiu que os arquivos eletrônicos com os registros eram enviados por e-mail pela Secretaria Municipal de Saúde ao servidor responsável pelo processamento do SIA/SUS.
Segundo a apuração, o servidor apenas importava os arquivos para o sistema, sem modificar as informações.
Justiça bloqueou R$ 688 mil
Em novembro de 2022, a Justiça Federal já havia determinado, a pedido do MPF, o bloqueio de R$ 688 mil do Fundo Municipal de Saúde de Mata Roma.
Segundo o MPF, o bloqueio foi determinado por causa da inserção de dados falsos no sistema do SUS.
Mata Roma é um dos 46 municípios maranhenses investigados por suspeita de recebimento fraudulento de recursos federais provenientes de emendas parlamentares.
De acordo com o MPF, as apurações já resultaram em pedidos para a abertura de 28 inquéritos policiais. Fonte: G1-MA









