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Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças

Conhecidos pelo potencial para impulsionar a transição energética, terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos vêm ganhando cada vez mais protagonismo global. Embora frequentemente tratados como sinônimos, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão do governo federal responsável por avaliar o potencial mineral do país, Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), escândio e ítrio.

Apesar do nome, não são necessariamente raros na natureza, mas costumam estar dispersos, o que dificulta a exploração econômica. São essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.

Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países e que tenham importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.

Minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Por isso, a definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. Porém, alguns exemplos mais comuns atualmente são: lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio.

Terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto. Ou seja, toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é terra rara.

Situação no Brasil

Segundo o SGB, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. Isso representa cerca de 23% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

A maior parte das terras raras no Brasil está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Esses estados têm os principais tipos de depósitos com potencial econômico.

Entre os minerais que costumam ser considerados críticos ou estratégicos na maior parte dos países, o Brasil se destaca por ter as maiores reservas de nióbio do mundo (94%), com 16 milhões de toneladas. Também é o segundo no ranking global de reservas de grafita (26%), com 74 milhões de toneladas, e o terceiro quando se trata de reservas de níquel (12%), com 16 milhões de toneladas.

O país tem uma lista de minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento interno. Ela foi publicada na Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, do Ministério de Minas e Energia. Esses minerais são divididos em três grupos:

Precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.

Usados em produtos e processos de alta tecnologia: minério de cobalto, minério de cobre, minério de estanho, minério de grafita, minérios do grupo da platina, minério de lítio, minério de nióbio, minério de níquel, minério de silício, minério de tálio, minério de terras raras, minério de titânio, minério de tungstênio, minério de urânio e minério de vanádio.

Minerais com vantagem comparativa e geração de superávit na balança comercial: minério de alumínio, minério de cobre, minério de ferro, minério de grafita, minério de ouro, minério de manganês, minério de nióbio e minério de urânio.

Disputa global

Esses recursos se tornaram centrais na disputa geopolítica global. Hoje, a China lidera amplamente o refino e a produção de terras raras, o que gera preocupação em outras potências, como Estados Unidos e União Europeia, que buscam diversificar fornecedores.

Nesse cenário, o Brasil aparece como um ator relevante. Especialistas apontam que o desafio brasileiro não está apenas na extração. A cadeia produtiva desses minerais envolve etapas complexas, como beneficiamento e refino, que ainda são pouco desenvolvidas no país.

Sem isso, o Brasil tende a continuar importando produtos de maior valor agregado, analisa o professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Jardim Wanderley, que é especialista na interseção entre política, economia e mineração.

“O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”, diz Jardim.

Além da dimensão econômica, há também questões ambientais e sociais. A exploração desses recursos gera impactos significativos nos lugares onde ocorre.

“Não existe mineração sustentável. Toda mineração causa impactos ambientais pesados, como o comprometimento de recursos hídricos. Também causa pressão econômica nos municípios em que ocorre: aumento da pobreza, desigualdade e violência urbana. O que temos hoje é um modelo completamente insustentável de mineração”, avalia o geógrafo.

“É possível fazer um modelo um pouco menos degradante. Mas, ainda assim, continuariam sendo feitos grandes buracos para extrair esses minérios. Continuariam a desmontar montanhas e a afetar cursos de água. Precisamos pensar com muita calma se realmente vale a pena, já que perdemos muitos recursos naturais e os efeitos socioambientais são significativos”, complementa. Fonte: Agência Brasil

Ministro diz que país não quer apenas exportar minerais críticos

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu nesta sexta-feira (24) a urgência da aprovação de regras claras para a exploração de minerais críticos em território brasileiro. 

Para o ministro, a criação de uma legislação específica é fundamental para minimizar dúvidas quanto ao destino dos ativos, considerados estratégicos, e garantir o desenvolvimento da indústria nacional.

“Não queremos ser um exportador de matéria-prima. Não vamos cometer o equívoco de imaginar que minerais críticos ou terras raras sejam objeto de exportação. Têm que ser de industrialização”, disse nesta sexta-feira (24), no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A declaração foi feita no contexto da compra da mineradora Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth, por cerca de US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde opera a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, Pela Ema, em Minaçu, em Goiás.

A mineradora também é a única produtora, fora da Ásia, de quatro elementos críticos e valiosos, o disprósio (Dy), o térbio (Tb), o neodímio (Nd) e o itrío (y), fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, como nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

A negociação foi festejada pelo governo de Goiás, cujo ex-governador Ronaldo Caiado assinou com o governo dos Estados Unidos, em março deste ano, um memorando de entendimento para “fortalecer a cooperação bilateral” entre o estado e os EUA, autorizando a realização de pesquisa e desenvolvimento tecnológico conjuntos e a facilitação de investimentos para a exploração de minerais críticos.

“Muita gente leu essa notícia e ficou imaginando que estamos perdendo um ativo importante, uma grande quantidade de minerais críticos para uma empresa que não é um grupo econômico brasileiro”, disse Rosa.

“Acho que, nesse caso, temos ainda muita desinformação. É preciso saber que tipo de atividade vai ser feita”, acrescentou.

O memorando foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por parlamentares do PSOL que pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR) que anule a venda da Serra Verde.

Para o ministro Márcio Elias, a iniciativa do ex-governador de Goiás avança sobre temas de competência da União.

“O subsolo brasileiro pertence à União. A competência para regulamentar [a exploração de recursos naturais] é da União. E quem estabelece relações com outros países é a União”, afirmou o ministro.

“É possível que haja boa intenção e um pressuposto legítimo de levar o desenvolvimento para o estado motivando alguém a fazer uma negociação desse tipo, mas do ponto de vista jurídico, ela não se sustenta”, avaliou o ministro.

O ministro entende que o acordo que o governo goiano firmou não produz nenhuma obrigação legal e não há nenhum risco de o país sofrer qualquer sanção se o descumprir.

“É muito mais um memorando sem nenhum comprometimento, sem nenhuma sanção”, avalia.

O ministro Márcio Elias lembrou que o governo federal, esta semana, pediu ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que retirasse de pauta o Projeto de Lei 2780/24,  que trata da criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Márcio Elias disse que a solicitação foi feita porque o Palácio do Planalto entende que, apesar da urgência do Congresso Nacional em estabelecer marcos legais claros para a exploração das terras raras, era preciso discutir mais a proposta antes de submetê-la à apreciação dos parlamentares.

“O governo federal quer apresentar propostas e sugestões que, sobretudo, aperfeiçoem o dever de industrialização dos minerais críticos”, disse Márcio Elias, antecipando que representantes do governo devem se reunir com o relator do PL, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), já na próxima semana.

O ministro disse, em sua entrevista ao Bom Dia, Ministro, que a norma deve abranger desde a exploração dos minerais críticos até as movimentações societárias, como a resultante da venda da Serra Verde a USA Rare Earth.

“Precisamos legislar e regular logo esse tema, porque ele suscita não apenas dúvidas, mas, sobretudo, insegurança [jurídica] sobre quem pode explorar, as mudanças, as fusões e as transformações dessas empresas, quem pode acessar o alvará para explorar e minerar. Tudo tem que estar regulado”, defendeu.

O ministro rejeita a ideia de criação de uma estatal para o setor.

“Em nossa avaliação, no atual modelo, não há necessidade alguma de se criar uma estatal para fazer a exploração, refino ou beneficiamento de mineral crítico estratégico. Já há instrumentos legais que permitem eventuais subvenções e há a possibilidade de associações com o setor privado e o fomento desse setor essencial”, argumentou, acrescentando que a criação de uma estatal “não seria sinônimo de melhor aproveitamento desses ativos”.  Fonte: Agência Brasil

Presos suspeitos de roubar casa de empresário em Pinheiro; criminosos se passaram por policiais

A Polícia Civil do Maranhão (PCMA) concluiu as investigações e esclareceu o caso de roubo a uma residência ocorrido no dia 25 de outubro de 2025, em Pinheiro, a cerca de 333 km de São Luís. A elucidação foi confirmada pelo 2º Distrito Policial do município, responsável pela condução do inquérito.

De acordo com as apurações, os criminosos utilizaram um falso disfarce de policiais para conseguir acesso ao imóvel. Ao entrarem na residência, renderam as vítimas, incluindo crianças que estavam no local, e realizaram o roubo. Durante a ação criminosa, foram subtraídos dinheiro, joias e diversos outros bens de valor.

Segundo as investigações, todos os envolvidos no crime foram identificados. A autoridade policial representou pelas prisões dos suspeitos, que foram posteriormente deferidas pelo Poder Judiciário.

Um dos investigados foi preso na cidade de São Luís, durante uma blitz realizada pela Polícia Militar do Maranhão (PMMA). Contra ele, havia três mandados de prisão em aberto. Já o segundo suspeito foi capturado durante uma operação da Força Estadual de Segurança Pública (FEISP).

A unidade policial informou ainda que outros envolvidos no crime seguem foragidos. As diligências continuam sendo realizadas com o objetivo de localizá-los e efetuar suas prisões. Fonte: G1-MA

Desembargador Ricardo Duailibe toma posse como presidente do TJ-MA para o biênio 2026-2028

Tomou posse, na noite de sexta-feira (24), em São Luísa nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) para o biênio 2026-2028. O presidente empossado é o desembargador Ricardo Tadeu Bugarim Duailibe.

A solenidade ocorreu no Auditório Darcy Ribeiro, no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, localizado no Multicenter Sebrae, na capital. O evento reuniu dezenas de representantes dos poderes Executivo estadual e municipal, além do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Reynaldo Soares da Fonseca.

A nova Mesa Diretora é composta pelo presidente, desembargador Ricardo Duailibe; pelo vice-presidente, Gervásio Protásio dos Santos; pelo corregedor-geral de Justiça, José Gonçalo de Sousa Filho; e pela desembargadora Angela Maria Morais Salazar, corregedora-geral do Foro Extrajudicial.

Durante a cerimônia, o desembargador Froz Sobrinho, que presidiu a Corte no biênio 2024-2026, transferiu ao novo presidente o Grão-Colar presidencial, símbolo da transmissão de poder.

De acordo com o desembargador Ricardo Duailibe, sua gestão será pautada pela celeridade com qualidade, acesso à Justiça, transparência, modernização, sustentabilidade e valorização dos servidores.

O novo presidente afirmou ainda que pretende conduzir suas funções com justiça e fidelidade aos princípios éticos.

“Ser justo é, por definição, viver voltado para o seu semelhante. Esta compreensão guiará cada decisão administrativa desta presidência. As políticas que adotaremos, os projetos que desenvolveremos, os esforços que empreenderemos terão sempre como mote a pergunta ‘a quem isso serve?’. Se a resposta não for o cidadão, o jurisdicionado, o mais vulnerável, o que aguarda há anos por uma sentença que lhe devolva dignidade, não merecerá o nome de justiça”, enfatizou o presidente.

Quem é Ricardo Duailibe?

 

Ricardo Duailibe tomou posse como novo presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão — Foto: Divulgação/TJ-MA

Ricardo Duailibe tomou posse como novo presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão — Foto: Divulgação/TJ-MA

Ricardo Duailibe nasceu em 6 de junho de 1955, em São Luís. É filho de Benedito Salim Duailibe e Maria de Lourdes Bugarin Duailibe. É bacharel em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com graduação concluída em junho de 1979.

Iniciou os estudos na Escola Modelo Benedito Leite e no Colégio Marista, concluindo o ensino médio como bolsista no Oceanside High School, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Após 33 anos de atuação na advocacia, foi nomeado desembargador do TJMA em 9 de agosto de 2013, na vaga do Quinto Constitucional destinada à advocacia. Atualmente, integra a 5ª Câmara Cível do Tribunal.

Na Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA), atuou como conselheiro seccional, foi membro da primeira composição do Tribunal de Ética e fundador e presidente do Instituto dos Advogados do Maranhão (IAM).

O magistrado exerceu o cargo de ouvidor do Poder Judiciário do Maranhão no biênio 2016-2017. Em 2018, recebeu o título de Ouvidor Emérito durante o IV Encontro Nacional do Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais.

Em fevereiro de 2017, foi eleito membro efetivo do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) pelo TJMA e atuou como corregedor regional eleitoral entre fevereiro e dezembro daquele ano. Posteriormente, presidiu o TRE-MA de 18 de dezembro de 2017 a 23 de fevereiro de 2019, período em que comandou a eleição presidencial de 2018 no estado.

Em fevereiro deste ano, ele foi eleito pela segunda vez para a presidência do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). A votação foi realizada durante Sessão Plenária Administrativa, com a participação de desembargadores e desembargadoras da Corte. Fonte: G1-MA

Dois homens são mortos durante tentativa de assalto em Vargem Grande

Dois homens foram mortos durante uma tentativa de assalto em Vargem Grande, a cerca de 172 km de São Luís. A ação aconteceu na madrugada deste sábado (25), em um estabelecimento comercial localizado nas proximidades da Praça da Matriz, no centro da cidade.

De acordo com informações policiais, os dois homens, identificados apenas como Fabrício e João Pedro, anunciaram o roubo e chegaram a subtrair pertences de clientes que estavam no local.

LEIA TAMBÉM: Criança de 3 anos morre após ser baleada acidentalmente pelo irmão de 8 anos em Vargem Grande

Ainda segundo os relatos, um dos presentes reagiu à ação criminosa e efetuou disparos contra os suspeitos, que morreram ainda no local. O caso foi comunicado à Polícia Civil do Maranhão (PCMA), que segue com a investigação. Fonte: G1-MA

Preso suspeito de participar do homicídio de comerciante no sul do MA

A Polícia Civil do Maranhão prendeu, nessa sexta-feira (24), um homem suspeito de participar do homicídio do comerciante Raimundo Mascilon Barros Gomes, de 49 anos. O crime aconteceu no dia 16 janeiro deste ano, dentro de uma loja de material de construção no Centro de Sítio Novo, de propriedade da vítima.

A ação criminosa foi registrada por uma câmera de segurança do estabelecimento comecial, a qual mostra que os criminosos simularam um assalto antes de executar a vítima

A prisão do suspeito foi realizada na cidade de Cedro, no Ceará, com apoio da Polícia Civil do Ceará. O homem foi localizado após investigação e teve o mandado de prisão cumprido por determinação da Justiça do Maranhão.

Segundo a Delegacia Regional de Imperatriz, a ação integrada entre as polícias dos dois estados foi fundamental para o sucesso da operação.

As investigações indicam ainda a participação de um segundo suspeito, que já foi identificado, mas continua foragido. A polícia segue com as buscas para localizá-lo e prendê-lo.

O caso continua sendo investigado pela Delegacia de Polícia de Sítio Novo, responsável pela condução do inquérito até a conclusão. A motivação do crime ainda não foi divulgada pela polícia.

Relembre o crime

 

Raimundo Mascilon Barros Gomes, de 49 anos, foi morto no dia 16 janeiro deste ano, dentro de uma loja de material de construção no Centro de Sítio Novo, de propriedade da vítima.  — Foto: Reprodução/TV Mirante

Raimundo Mascilon Barros Gomes, de 49 anos, foi morto no dia 16 janeiro deste ano, dentro de uma loja de material de construção no Centro de Sítio Novo, de propriedade da vítima. — Foto: Reprodução/TV Mirante

O comerciante Raimundo Mascilon Barros Gomes, de 49 anos, foi morto a tiros na manhã do dia 16 de janeiro deste ano, dentro do próprio estabelecimento comercial, em Sítio Novo, no sul do Maranhão.

O crime foi registrado por uma câmera de segurança da loja. As imagens mostram a dupla de criminosos chegando ao local por volta das 7h30 em um motocicleta. Os homens se aproximam da vítima, que estava sentada em uma cadeira e não reage.

Um dos criminosos, para simular um assalto, pega dinheiro do caixa e revista a vítima. Em seguida, o outro homem, que estava armado, dispara quatro tiros na cabeça do comerciante, que estava rendido com as mãos para cima. Raimundo Mascilon morreu no local. Fonte: G1-MA

Homem é preso suspeito de tentativa de feminicídio e por provocar aborto em Arame

A Polícia Civil cumpriu, neste sábado (25), um mandado de prisão contra um homem suspeito de tentativa de feminicídio e de aborto provocado sem o consentimento da gestante, vítima do crime. Ele foi preso em um hospital em Grajaú, a cerca de 580 km de São Luís.

O caso ocorreu em 31 de janeiro deste ano, no povoado Jatobá, na zona rural de Arame, a cerca de 476 km da capital. De acordo com as investigações, a vítima foi atingida por golpes de faca desferidos pelo suspeito. Em decorrência das lesões, a mulher, que estava grávida, teve a gestação interrompida no quinto mês.

Após cometer o crime, o suspeito fugiu da região. Segundo a polícia, ele continuou ameaçando familiares da vítima por meio de uma rede social. Com base nas provas reunidas, a Justiça do Maranhão expediu um mandado de prisão preventiva.

O suspeito foi localizado internado em um hospital em Grajaú. Ele apresentava lesões após ser atingido por disparos de arma de fogo. Após a prisão, permaneceu sob vigilância policial até receber alta.

A Polícia Civil informou que, após a alta hospitalar, ele será encaminhado ao Sistema Penitenciário do Maranhão, onde ficará à disposição da Justiça.

 Fonte: G1-MA

Enem 2026: estudantes do MA têm novo prazo de isenção

Os participantes do Maranhão que desejam solicitar a isenção da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 têm até o dia 30 de abril para fazer o pedido. O prazo também vale para quem precisa justificar ausência no Enem 2025.

A ampliação foi anunciada nesta sexta-feira (24) pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), data que marcava o encerramento do período.

O pedido de isenção e a justificativa de ausência devem ser feitos na Página do Participante, com login único do Gov.br.

Enem 2026: quem pode pedir a isenção
Têm direito à gratuidade os estudantes que se enquadram em pelo menos um dos seguintes critérios: estar matriculado no último ano do ensino médio em escola pública em 2026; ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral em escola privada, com renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa; estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico); ou ser participante do programa Pé-de-Meia.

Mesmo com a isenção, o candidato precisará realizar a inscrição no Enem 2026, em período que ainda será divulgado pelo MEC.

A justificativa de ausência é destinada ao participante que obteve isenção no Enem 2025, mas faltou aos dois dias de prova e deseja solicitar novamente o benefício para 2026.

Inep prorroga prazo de isenção e justificativa do Enem 2026
Os estudantes do programa Pé-de-Meia que concluírem o ensino médio em 2026 e participarem dos dois dias de prova podem receber um incentivo adicional de R$ 200. O pagamento será feito após a confirmação da conclusão do ensino médio, na mesma conta em que o participante já recebe os benefícios do programa.

Já os inscritos no CadÚnico precisam estar com os dados atualizados. Caso contrário, o pedido de isenção pode ser negado.

O Inep reforça que a aprovação da isenção ou da justificativa de ausência não garante a inscrição automática no Enem 2026. Os candidatos devem ficar atentos à publicação do edital, que trará as regras e datas oficiais.

Calendário da isenção do Enem 2026:
Pedido de isenção e justificativa de ausência: até 30 de abril
Resultado dos pedidos: 13 de maio
Período para recursos: de 13 a 19 de maio
Resultado dos recursos: 25 de maio
Criado há mais de duas décadas, o Enem é hoje a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil. As notas são utilizadas em programas como o Sisu, Prouni e Fies, além de processos seletivos de instituições públicas e privadas.

O exame também pode ser usado para ingresso em universidades de Portugal que possuem convênio com o Inep, facilitando o acesso de estudantes brasileiros ao ensino superior no exterior.

Imirante

Família e escola devem liderar luta antimachismo, dizem especialistas

Em 2025, a cada 24 horas, ao menos 12 mulheres foram agredidas, em média, no Brasil, o que representa 4.558 vítimas de violência no ano, segundo pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança. O dado se refere a casos registrados em nove estados monitorados pela rede: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

O machismo estrutural faz com que esses casos se repitam, na avaliação de especialistas entrevistados pela Rádio Nacional. Por isso, eles defendem que é urgente a inclusão dos homens na construção de soluções que aumentem o engajamento masculino na luta contra a violência e mudem essa realidade.

Levantamento feito pela ONU Mulheres e pelo Instituto Papo de Homem mostra que 81% dos homens e 95% das mulheres avaliam que o Brasil é um país machista.

O psicólogo Flávio Urra, que trabalha na reeducação com foco na ressocialização de autores de violência, considera que, diferentemente dos homens, as mulheres mudaram o mundo legitimando uma série de pautas. No entanto, diz ele, “os homens continuam com a mesma cabeça de 30 anos atrás, de 50 anos atrás, querendo aquele modelo de família, aquele modelo de mulher que não existe mais.”

Existem exceções, como o engenheiro Carlos Augusto Carvalho, de 55 anos. Em conversas com outros homens, ele aprendeu que combater o machismo é uma luta diária. “Eu acho que o machismo é essa coisa que está enraizada e que a gente tem que diariamente combater. Realmente levantar uma bandeira forte para eliminar isso do nosso caminho.”

 

Brasília (DF) 09/10/2023 - Alexandre Coimbra Amaral é o convidado do programa na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) - `DR com Demori´.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Para o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, a questão de gênero deve ser obrigatória na grade escolar – Foto: Joédson Alves/Arquivo/Agência Brasil

Família e masculinidades

O psicólogo e terapeuta familiar Alexandre Coimbra Amaral avalia que as dinâmicas familiares influenciam a visão de mundo de crianças e adolescentes e têm um componente cultural. Ele compara a família a um país, com seus códigos. Quando o indivíduo nasce nesse país, aprende o certo, o errado, como se come e se veste, o que se pode ou não falar e como crianças e idosos devem ser tratados.

Amaral entende que existem várias formas de ser homem. No entanto, quando a cultura familiar assume que ser homem é seguir o padrão tradicional, sem outros modelos de masculinidade, entrega para a criança e para o adolescente uma maneira de pensar que pode favorecer a violência.

“Essa biografia mais enrijecida ensina que homens têm que deter o poder, precisam dominar, precisam submeter e, quando as pessoas não são regidas por esse binômio, dominação e obediência, a violência precisa aparecer como uma espécie de cala boca.”

Para o psicólogo, o diálogo na família deve ser aberto não com a justificativa do homem de que foi essa a maneira como ele foi criado, mas que ele saiba questionar a criação que teve.

”Que ele possa se perguntar quais foram os prejuízos que eu tive na condição de homem por eu ter aprendido a ser homem dessa forma, com meu pai, com meu avô, com meu tio, com meu bisavô, vendo todos esses homens. Quais foram as coisas que eles perderam na vida?”

 

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Orientador familiar Peu Fonseca. Foto: Gustavo Minas/Divulgação
Orientador familiar Peu Fonseca defende a construção de uma nova identidade, pensada por homens e mulheres, que não leve à violência – Foto: Gustavo Minas/Divulgação

Na opinião do educador parental Peu Fonseca, é preciso haver uma identidade nova, coletiva e social, pensada por homens e mulheres, que não leve à violência.

“É preciso que essa identidade se afaste do que nos trouxe aqui até hoje, porque o que nos trouxe aqui até hoje está matando mulheres. A gente não tem como admitir isso mais. Chega! É preciso ensinar os nossos meninos a gostar, e não odiar meninas. E não se sentirem ameaçados. O fato de as meninas ocuparem espaços que antes eram nossos não diz sobre as meninas quererem nos dominar. Diz sobre a gente não querer aprender coisas novas.”

Peu Fonseca é pai de João, Irene, Teresa e Joaquim. Para ele, o grande desafio dos pais e responsáveis é entender que o papel de cuidar não é sobre controlar quem serão essas crianças. Mas acolher, dialogar, orientar. “Indicar caminho, corrigir rotas, ser margem e, em outros momentos, ser fluxo, ser água corrente, para que elas se lancem mais ao mundo.”

O consultor de empresas Felipe Requião trabalha com o engajamento de homens na promoção da equidade de gênero e na prevenção da violência contra as mulheres. Para ele, a família, além da  escola e das redes sociais, deve ser protagonista na formação da masculinidade – seja ela sadia, madura, benéfica ou tóxica.

Requião acredita que a família contribui quando não reforça estereótipos do tipo “homem não chora”, “não faz trabalho doméstico” e “não cozinha”.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Jornalista e pesquisador em masculinidades Ismael dos Anjos. Foto: Ismael dos Anjos/Arquivo pessoal
Pesquisador em masculinidades, Ismael dos Anjos diz que meninos devem ser estimulados a ter cuidado consigo e com o outro – Foto: Ismael dos Anjos/Arquivo pessoal

O jornalista e pesquisador em masculinidades Ismael dos Anjos diz que, diferentemente das avós e mães, as meninas de hoje já aprendem que o lugar delas é onde quiserem. Agora é a vez de os meninos buscarem uma nova realidade em que cuidem de si e do outro.

Ele defende que, para um futuro mais igualitário, brincadeiras como polícia e ladrão e pega-pega, por exemplo, sejam substituídas por atividades lúdicas em que os meninos sejam estimulados a ter cuidado consigo, com o outro e também com o ambiente ao redor. “Se existe professor e aluna, mamãe e filhinha, por que a gente não ensina professor e aluno, papai e filhinho para os nossos meninos?”

Ismael dos Anjos acredita que “mudar a chavinha” para entender que o cuidado não deve ser algo compulsório apenas para as meninas, mas também seja algo estimulado entre os meninos desde cedo, provocará “uma mudança cultural e uma mudança desejável para uma sociedade de homens que, caso ascendam a posições de influência, de liderança, saibam a responsabilidade que carregam consigo nesses papéis.”

Escola no letramento de gênero

Sete em cada dez professores já presenciaram situações indesejadas de sexualização e silenciamento contra meninas, segundo um estudo da organização não governamental (ONG) Serenas. A ONG trabalha na prevenção de violências contra meninas e mulheres.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello. Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal
Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello avalia que as instituições de ensino têm papel fundamental na promoção do letramento de gênero – Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal

A psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello, referência em gênero e saúde mental, avalia que as instituições de ensino têm papel fundamental na promoção do letramento de gênero. Ela pontua que a tendência é reproduzir os valores aprendidos, como um ciclo de violência familiar. Por isso, vê na escola, na obrigatoriedade do ensino gratuito, público para todas as crianças e jovens, a chance de mudar essa realidade.

“Em muitas famílias a gente vai ter uma genealogia, uma repetição dessa violência por muitas gerações. Então, se minha bisavó apanhava, minha avó apanhava, minha mãe apanhava, o que eu como menina aprendo? É um direito desse homem quando se sente aborrecido, não obedecido, recorrer à violência. É importante então que isso seja problematizado.”

A coordenadora-geral de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas, do Ministério da Educação (MEC), Thaís Luz, concorda que a escola deve ser um espaço de enfrentamento e não de risco.

Ela ressalta que essa luta exige a articulação da escola com as famílias, a comunidade, a rede de proteção, de assistência social, de saúde e o sistema de Justiça. Thaís Luz afirma que a educação básica é importante para a transformação da sociedade e também para desconstrução de padrões culturais machistas.

“Quando nós trabalhamos intencionalmente temas como respeito, equidade, empatia, resolução pacífica de conflitos, nós estamos contribuindo diretamente para a prevenção da violência, incluindo a violência contra meninas e mulheres.”

Para a coordenadora-geral, historicamente, não é um desafio simples. Esses são temas ausentes da formação inicial dos professores, se tornando um desafio estrutural, mas que não deve ser visto como limitador. Para mudar essa realidade, o programa Escola que Protege, do MEC, se soma a outras ações de capacitação nas redes de ensino no enfrentamento à violência.

Ela destaca o curso Escolas ON Violências OFF, em parceria com a ONG Serenas, e também cursos sobre cidadania, democracia e direitos humanos desde a escola, com o Instituto Auschwitz.

“Tudo isso com o objetivo de garantir que os profissionais tenham o repertório necessário, se sintam seguros e sensíveis para lidar com essas situações do cotidiano da escola.”

Thaís Luz defende que, na implementação das mudanças, é fundamental que gestores e entes federativos estejam comprometidos. Para ela, a escola é a parte mais importante dessa transformação, e os profissionais de educação são os protagonistas desse processo, por isso precisam ter apoio institucional.

“Então, é muito importante também reconhecer a responsabilidade dos entes federativos em garantir as condições para que essa agenda se concretize, oferecendo suporte, formação e a estrutura adequada para suas redes, para suas escolas.”

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Especialista em gênero e direito e professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) Janaína Penalva. Foto: Janaína Penalva/Arquivo pessoal
Professora da Faculdade de Direito da UnB, Janaína Penalva diz que ensino emancipatório é muito poderoso na prevenção de várias formas de violência – Foto: Janaína Penalva/Arquivo pessoal

Professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), Janaína Penalva também acredita que a transformação social começa pela escola, com a formação de professores e professoras capazes de identificar os estereótipos de gênero presentes na sociedade e nos próprios livros produzidos para a educação.

Para Janaína, um ensino emancipatório é muito poderoso na prevenção de várias formas de violência, incluindo os casos de agressão a mulheres.

Recentemente, o governo lançou um pacote com ações que vão do ensino básico à educação superior e que inclui no currículo conteúdos relativos ao combate à violência contra meninas e mulheres.

O psicólogo Alexandre Coimbra Amaral concorda que a questão de gênero deve ser obrigatória na grade escolar. Ele critica a tentativa de movimentos conservadores de impedir esse avanço afirmando se tratar de ideologia de gênero.

“Essa expressão ideologia de gênero nem existe no campo científico. E, portanto, não existe uma construção de uma ideologia, o que existe é a possibilidade de se conversar abertamente. Toda a história da psicologia mostra o seguinte: onde a palavra não pode existir, há adoecimento psíquico.”

Para o psicólogo, não deve ser feita uma “patologização” do menino que comete uma ação inadequada, nem haver uma conduta punitivista como suspensão ou castigo, mas é necessário promover um diálogo que envolva também as meninas. “Aproveitar aquilo ali como ação educativa. Abrir uma roda de conversa e falar assim: ‘o que a gente pode aprender disso aqui? Quem já se sentiu no lugar dele e no lugar dela?’”

Amaral lembra que a própria criança que age de forma agressiva com outra pode ter sido a vítima em circunstâncias anteriores.

Machismo: redes sociais

Estudos revelam o crescimento de discursos misóginos e machistas nas redes sociais. Passaram a ser comuns, entre outros, os termos machosfera, para se referir a fóruns e grupos na internet que defendem a masculinidade tóxica, o ódio às mulheres e a oposição aos direitos femininos, ou redpills, como são chamados os homens que teriam “despertado” para uma suposta realidade em que as mulheres são exploradoras e manipuladoras.

Um levantamento atualizado este ano, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra que 90% dos canais do YouTube identificados em 2024 com conteúdo misógino continuam ativos na plataforma. Mais de 130 perfis seguem disponíveis e publicando vídeos.

“As redes sociais estão claramente, neste momento, assumindo que promovem mais o tipo de masculinidade tóxica, perversa e violenta”, diz o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral. Para ele, não existe neutralidade uma vez que as redes são regidas pelas big techs.

Amaral avalia que a preferência tem sido pelo conteúdo que repete a mensagem masculina mais violenta, que tem mais alcance e engajamento. Ele alerta que as redes sociais são perigosas por serem uma espécie de TV em que os programas mais vistos, com mais audiência, não são os que o público escolhe, mas os que elas escolhem repetir várias vezes.

O psicólogo defende a construção de um diálogo fora e dentro das redes que questione “o malefício desse conteúdo para os meninos e os adolescentes, para a formação dos homens e para a construção de uma sociedade que não seja regida pela barbárie”.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. O consultor de empresas Felipe Requião atua há sete anos como facilitador de grupos de homens. Foto: Felipe Requião/Arquivo pessoal
O consultor Felipe Requião trabalha com o engajamento de homens na promoção da equidade de gênero e na prevenção da violência contra as mulheres – Foto: Felipe Requião/Arquivo pessoal

O consultor Felipe Requião concorda que as redes sociais amplificam conteúdos misóginos, com comunidades de validação. Para ele, a internet acaba tendo um papel de educar mais os meninos, na comparação com a formação oferecida por adultos.

“Às vezes, eu dou o celular na mão de um jovem, de um menino, achando que eu estou ocupando o espaço dele, ocupando o tempo dele, fazendo com que ele tenha acesso à tecnologia. Mas, na verdade, eu estou dando uma forma de educação por algo, por alguém com quem eu não concordo, que eu não conheço e que eu não tenho controle sobre o que está sendo falado. O desafio é ocupar esse espaço com alternativas reais, verdadeiras, de pertencimento masculino saudável.”

Para a psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello, a internet tem um lado negativo e um positivo. Como exemplo de mau uso, as redes sociais amplificam a violência digital com o cometimento de novos tipos de crimes. “A gente vai ter o uso da IA [inteligência artificial], por exemplo, para divulgar fotos montadas de mulheres nuas, então, um novo tipo de nude, mas que nunca existiu, mas o fato de nunca ter existido não impede que afete a honra, as relações sociais das meninas e mulheres.”

No entanto, as novas tecnologias podem se tornar poderosas aliadas quando amplificam o letramento de gênero, a compreensão, a desconstrução e a crítica das normas sociais e estereótipos impostos a homens e mulheres.

As redes sociais, no seu bom uso, combatem a violência digital, com conteúdo educativos, além de possibilitar uma rede apoio e o alcance das denúncias. As campanhas de mobilização podem ser citadas como exemplo. Uma das estratégias é o uso de hashtags. Criado pela ONU Mulheres, o movimento #ElesPorElas (HeForShe) busca engajar homens e meninos na promoção da igualdade de gênero e no empoderamento feminino. Movimentos como o #Metoo, contra o assédio sexual, e o #MexeuComUmaMexeuComTodas evidenciam a importância de dar voz aos movimentos de mulheres.

*Colaborou Luciene Cruz Fonte: Agência Brasil