Blog do Walison - Em Tempo Real

Relatório final da CPI do Crime Organizado é rejeitado

Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado rejeitaram o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) que, entre outros pontos, pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Foram seis votos contrários e quatro a favor do parecer. Com isso, a CPI encerra os trabalhos sem um documento final.

Antes da votação do relatório, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou o fato de os trabalhos não terem sido prorrogados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

“Infelizmente, essa CPI não apresentou um resultado daquilo que nós almejamos. Nós fomos impedidos efetivamente de termos essa CPI tão importante do crime organizado que deixa a população fragilizada no seu direito constitucional que é segurança a pública, porque, infelizmente, a Presidência dessa Casa não prorrogou a Comissão Parlamentar de Inquérito”, disse.

Contarato também criticou o STF por, segundo ele, ter dificultado a oitiva de depoentes, o que impediu a CPI de coletar provas “de natureza objetiva e subjetiva”.

No entanto, o presidente da CPI defendeu a importância da instituição para a democracia e também posicionou-se contra indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República Paulo Gonet, proposto pelo relator.

“O ato de indiciamento é um ato de grande responsabilidade, porque você está lidando com a reputação e a vida das pessoas e isso é muito grave, isso é muito sério dentro da democracia. Ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente”, argumentou.

O senador disse ainda esperar que o STF faça uma autocrítica de determinadas posições, a exemplo dos habeas corpus que impediram diversos depoimentos e o impedimento de acesso a informações colhidas pela Polícia Federal.

“Acho que vai chegar um momento de fazer uma análise, uma autoanálise”, pontuou.

A favor do relatório votaram: Alessandro Vieira (MDB-SE), Eduardo Girão (NOVO-CE), Espiridião Amin (PP-SC), Magno Malta (PL-ES). Contra o relatório: Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE).

O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), também criticou o relatório. Ele ressaltou que uma CPI não é uma lugar de disputa política, é um lugar de investigação.

“Do ponto de vista de indiciamento, (Fabiano) Zettel não foi indiciado, Daniel (Vorcaro) não foi indiciado, o ex-presidente do Banco Central (Roberto Campos Neto) não foi indiciado”, destacou Wagner, que votou contra o relatório do senador Alessandro Vieira.

“Se a Vossa Excelência mantivesse aqui as sugestões legislativas feitas, conte com o meu voto. Com o restante do processo de indiciamento, que na minha opinião não indicia a centralidade da sua CPI, que é do Crime Organizado, me perdoe, eu tenho que votar contra, porque eu não vou corroborar com a sanha de querer atacar instituição Supremo Tribunal Federal, como muitos têm feito aqui.”

Troca de integrantes

Mais cedo, na abertura dos trabalhos, houve a troca de integrantes do colegiado. Os senadores Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA) substituíram os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), integrantes do bloco partidário formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil.

A substituição ocorreu a pedido do líder do bloco desses parlamentares, Eduardo Braga (MDB-AM), a quem cabe indicar os integrantes do colegiado.

O relator Alessandro Vieira imputou ao governo a troca de integrantes do colegiado e a derrota na votação.

Vieira defendeu o indiciamento de ministros do Supremo e disse que a derrota só “vai adiar a pauta”.

“A decisão dos colegas pela não aprovação, após uma intervenção direta do Palácio do Planalto, reflete apenas um atraso na pauta. Ela pode não acontecer agora, mas tem data para acontecer”, disse o senador após o resultado da votação.

A CPI investigou o modus operandi de facções e milícias em diferentes regiões do país. Além de investigar a ocupação territorial por facções, a CPI fez um levantamento dos crimes relacionados às atividades econômicas, à lavagem de dinheiro e de infiltração no Poder Público, como no caso do Banco Master.

O relatório foi apresentado após 120 dias de trabalho. Com 220 páginas, o parecer de Vieira traz um retrato do funcionamento do crime organizado no Brasil e propõe medidas para combater o avanço da criminalidade.

Para o relator, “o fenômeno da criminalidade organizada no Brasil atingiu um patamar de complexidade e enraizamento que representa uma ameaça concreta à soberania do Estado, à democracia e aos direitos fundamentais da população”.

Organizações criminosas

De acordo com o relatório, 90 organizações criminosas foram mapeadas, sendo duas com atuação nacional e transnacional e presentes em 24 estados e no Distrito Federal. Entre as organizações citadas estão o Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), do Rio de Janeiro; e Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

Para Vieira, essas facções criminosas atuariam “como verdadeiros para-Estados, exercendo domínio territorial sobre comunidades inteiras, impondo regras de convivência, cobrando tributos ilegais e fornecendo serviços que deveriam ser de competência estatal”.

Segundo o relatório, pelo menos 26% do território nacional estariam sob algum tipo de controle do crime organizado e 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas com a presença dos criminosos. A lavagem de dinheiro é foi apontada como “o mecanismo central de sustentação do crime organizado”, presente na venda de cigarro, ouro, mercado imobiliário, bebidas, fintechs, criptomoedas e fundos de investimento.

Experiências exitosas

Segundo Vieira, a CPI também identificou experiências exitosas no enfrentamento ao crime organizado, ao citar as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), presentes em todas as 27 unidades da Federação.

“A estratégia de descapitalização financeira, com mais de R$ 4 bilhões apreendidos apenas na Operação Carbono Oculto, comprovou que atingir o patrimônio das organizações é mais efetivo do que a mera repressão policial convencional. A cooperação internacional, com adidâncias policiais em 34 países e a prisão de 842 foragidos entre 2021 e 2025, evidencia que o Brasil dispõe de capacidade operacional significativa quando há recursos e articulação adequados”, destacou.Fonte: Agência Brasil

Lula envia ao Congresso projeto de lei pelo fim da escala 6×1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional, na noite desta terça-feira (14), o projeto de lei que prevê o fim com a escala de seis dias trabalhados para um de descanso (6×1), e reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais.

A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial.

Segundo o texto, a proposta é reduzir o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial.

A escala passaria a ser de cinco dias trabalhados para dois dias de descanso.

O presidente Lula, em postagem nas redes sociais, salientou que a proposta seguiu com “urgência constitucional, o que faz com que o Legislativo tenha 45 dias para a deliberação da matéria.

“A proposta devolve tempo aos trabalhadores e trabalhadoras: tempo para ver os filhos crescerem, para o lazer, para o descanso e para o convívio familiar. Um passo para um país mais justo e com mais qualidade de vida para todos”, escreveu o presidente.

De acordo com Lula, o envio da proposta tem relação com a dignidade das famílias brasileiras, “de quem constrói o Brasil todos os dias”. O presidente ressaltou que a jornada menor não prevê qualquer redução no salário.

Conforme o governo, a proposta abrange também trabalhadores domésticos, comerciários, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela Consolidação das Leis do Trabalho.

Ainda de acordo com o Executivo, a proposta tem aplicação geral.

“O limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados”, informa.

>> Veja o que prevê o projeto de lei:

  • Jornada semanal: limite passa de 44 para 40 horas
  • Descanso ampliado: ao menos dois dias de repouso semanal remunerado
  • Novo padrão: consolidação do modelo 5×2 e redução das horas trabalhadas
  • Salário protegido: vedada qualquer redução salarial
  • Abrangência ampla: inclui domésticos, comerciário, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais.
  • Aplicação geral: limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados
  • Flexibilidade: mantém escalas como 12hx36 por acordo coletivo, respeitada a média de 40 horas por semana

* Com informações da Presidência da República

Criança de 3 anos morre após ser baleada acidentalmente pelo irmão de 8 anos em Vargem Grande

Uma criança de 3 anos, identificada como Mari Clayre Souza Moraes, morreu após ser baleada acidentalmente pelo irmão, de 8 anos, em Vargem Grande, a cerca de 172 km de São Luís. Segundo a Polícia Militar do Maranhão (PMMA), que esteve no local, a menina havia sido deixada pela mãe, junto com o irmão, na casa de um casal de idosos.

De acordo com as informações, o menino encontrou, em um compartimento da casa, uma espingarda calibre 32. A arma disparou acidentalmente e atingiu o abdômen da vítima. Após o ocorrido, o socorro foi acionado.

A criança chegou a ser levada para o hospital de Vargem Grande, mas, devido à gravidade do ferimento, precisou ser transferida para São Luís. No entanto, ela não resistiu e morreu antes de chegar a uma unidade de saúde na capital.

O caso será investigado pela Polícia Civil do Maranhão (PCMA). A arma foi apreendida, e a polícia deve apurar a quem pertencia, como estava armazenada e por que estava ao alcance das crianças.

Criança morreu em situação parecida em 2025

 

De acordo com as primeiras informações da Polícia Militar, o disparo teria sido acidental e partiu da arma do pai da vítima, um policial militar do Maranhão, identificado como 2º sargento Azevedo. Ele estaria limpando a arma minutos antes de o menino ser atingido.

Criança de 4 anos morre após ser baleada dentro de casa no MA; suspeita é de morte acidental — Foto: Reprodução/TV Mirante

Criança de 4 anos morre após ser baleada dentro de casa no MA; suspeita é de morte acidental — Foto: Reprodução/TV Mirante Fonte: G1-MA

Corpo de idoso desaparecido é encontrado em área de mata em São José de Ribamar

Foi encontrado, na tarde dessa segunda-feira (13), o corpo do idoso Arnaldo dos Anjos, de 64 anos, que estava desaparecido desde a última quinta-feira (9).

Segundo a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), por meio da Superintendência Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (SHPP), o corpo do idoso foi encontrado em cova rasa em uma área de mata situada no bairro Sarnambi, em São José de Ribamar, na região metropolitana de São Luís.

A vítima apresentava lesões provocadas por disparos de arma de fogo. Ainda de acordo com a Polícia Civil, a princípio, o caso está sendo tratado como latrocínio (roubo seguido de morte), pois a casa do idoso, localizada no Residencial Turiúba, tinha sinais de arrombamento e alguns objetos foram subtraídos do local. Foram levados da residência televisão, botijão de gás e outros objetos de valor.

O caso ainda está sendo investigado, para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar a autoria e a motivação.Fonte: G1-MA

Polícia Federal prende suspeito de abuso sexual de crianças e adolescentes em São Luís

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (14), a Operação Back To Back, em São Luís, para investigar crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes, incluindo a produção, armazenamento e distribuição de material de abuso.

Esta é a segunda ação contra o investigado, que já havia sido vinculado a crimes semelhantes em uma operação anterior. Nesta fase, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de prisão, emitidos pela Justiça.

O investigado foi preso durante a operação, e dispositivos eletrônicos e mídias digitais foram apreendidos. Estes materiais serão analisados por peritos.

Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente ainda use o termo “pornografia”, a comunidade internacional prefere as expressões “abuso sexual” e “violência sexual contra crianças e adolescentes”, pois descrevem melhor a gravidade desses crimes.

A Polícia Federal alertou sobre a importância da prevenção e orienta pais e responsáveis a supervisionarem o uso da internet por crianças e adolescentes, além de manter um diálogo aberto sobre segurança digital. É fundamental que crianças e adolescentes informem imediatamente sobre qualquer situação suspeita.Fonte: G1-MA

Aposentados e pensionistas do INSS no PI terão 13º antecipado; veja quando receber

Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Piauí terão o pagamento do 13º salário antecipado para os meses de abril e maio de 2026. Ao todo, mais de 670 mil benefícios serão contemplados.

A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 12.884, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado em edição extra do Diário Oficial da União na última quinta-feira (9). A antecipação vale para todos os estados brasileiros.

O calendário da primeira parcela começa no dia 24 de abril e segue até 8 de maio. Já a segunda parcela será paga entre 25 de maio e 8 de junho. As datas consideram o número final do cartão de benefício, sem o dígito verificador após o traço.

Têm direito ao pagamento antecipado segurados que receberam, em 2026, benefícios como aposentadoria, pensão por morte, auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, salário-maternidade e auxílio-reclusão.

Por outro lado, não recebem o 13º salário beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da Renda Mensal Vitalícia.

Calendário de pagamento

 

Primeira parcela

 

Até 1 salário-mínimo:

  • Final 1: 24/abril
  • Final 2: 27/abril
  • Final 3: 28/abril
  • Final 4: 29/abril
  • Final 5: 30/abril
  • Final 6: 04/maio
  • Final 7: 05/maio
  • Final 8: 06/maio
  • Final 9: 07/maio
  • Final 0: 08/maio

 

Acima do piso nacional:

  • Finais 1 e 6: 04/maio
  • Finais 2 e 7: 05/maio
  • Finais 3 e 8: 06/maio
  • Finais 4 e 9: 07/maio
  • Finais 5 e 0: 08/maio
  • Segunda parcela

     

    Até 1 salário-mínimo:

    • Final 1: 25/mai
    • Final 2: 26/mai
    • Final 3: 27/mai
    • Final 4: 28/mai
    • Final 5: 29/mai
    • Final 6: 01/jun
    • Final 7: 02/jun
    • Final 8: 03/jun
    • Final 9: 05/jun
    • Final 0: 08/jun

     

    Acima do piso nacional:

    • Finais 1 e 6: 01/jun
    • Finais 2 e 7: 02/jun
    • Finais 3 e 8: 03/jun
    • Finais 4 e 9: 05/jun
    • Finais 5 e 0: 08/junFonte: G1-PI

Homem é condenado a 35 anos de prisão por feminicídio em Cuité, PB

Um homem, identificado como Joelson Prazeres da Silva, foi condenado a 35 anos de prisão pelo assassinato de uma mulher no município de Cuité, no Curimataú da Paraíba. A sentença foi proferida pelo Tribunal do Júri da comarca e reconheceu que o crime foi cometido com motivação torpe e mediante meio cruel, o que caracteriza feminicídio.

De acordo com a decisão do juiz Fábio Brito de Faria, Joelson Prazeres da Silva foi condenado com base no artigo 121-A do Código Penal. A pena foi fixada em 35 anos de reclusão, considerando circunstâncias judiciais como a culpabilidade, a personalidade do réu, os motivos e as consequências do crime.

Na dosimetria da pena, a Justiça reconheceu a agravante de reincidência e a atenuante de confissão espontânea. Como houve compensação entre os dois fatores, a pena foi mantida em 35 anos.

Entenda o crime

A vítima, Camilla Raiane Lima, de 27 anos, foi encontrada morta dentro de casa, na região central de Cuité, na noite de 17 de fevereiro de 2025. O corpo apresentava marcas de agressão no rosto e lesões no pescoço, e a principal suspeita é de que a causa da morte tenha sido estrangulamento.

Segundo a Polícia Civil, o corpo foi localizado por um dos filhos da vítima. Camilla tinha três filhos, sendo uma criança fruto do relacionamento com o suspeito, que vivia com ela havia cerca de quatro anos.

Após o crime, o homem fugiu e chegou a ser considerado foragido. As investigações apontaram indícios de violência doméstica, e o caso foi tratado como feminicídio desde o início.

Perícias foram realizadas no local e testemunhas foram ouvidas durante o inquérito, que embasou a denúncia levada a julgamento pelo Tribunal do Júri. Fonte: G1-PB

Ministério Público Eleitoral dá parecer para manter a cassação de Gentil Neto em Caxias

O Ministério Público Eleitoral (MPE) emitiu parecer contundente pela manutenção da cassação do prefeito eleito de Caxias, José Gentil Rosa Neto, apontando um conjunto robusto de provas que evidenciam abuso de poder político e econômico durante o processo eleitoral de 2024.

No documento, obtido pelo Blog do Neto Ferreira, assinado pelo procurador regional eleitoral auxiliar Thiago Ferreira de Oliveira, o órgão ministerial desmonta as principais teses da defesa e sustenta que houve um verdadeiro aparelhamento da máquina pública para influenciar o resultado das eleições.

De acordo com o parecer, ficou comprovado que a gestão municipal promoveu contratações em massa de servidores temporários em pleno período vedado pela legislação eleitoral. Somente entre julho e outubro de 2024, foram registradas 227 admissões — muitas delas sem justificativa legal — concentradas justamente na reta final da campanha.

Para o MPE, a prática não foi meramente administrativa, mas sim uma estratégia eleitoral clara: criar uma rede de dependência econômica e transformar servidores em cabos eleitorais, comprometendo a igualdade de condições entre os candidatos.

Além disso, o parecer detalha um esquema estruturado de compra de votos operado por intermediárias ligadas ao grupo político. A investigação identificou transferências via PIX, distribuição de dinheiro e benefícios em troca de votos, incluindo pagamentos fracionados realizados na véspera e no dia da eleição.

As provas, segundo o Ministério Público, são “robustas e harmônicas”, reunindo dados bancários, quebras de sigilo e registros de geolocalização que confirmam a atuação coordenada do esquema. O órgão destaca ainda que a participação direta dos candidatos não é necessária para a responsabilização, bastando a comprovação de anuência e benefício eleitoral.

Outro ponto rebatido pelo MPE foi a alegação de nulidade do processo. O parecer afirma que a atuação do juiz substituto ocorreu dentro da legalidade, afastando qualquer violação ao princípio do juiz natural.

Diante do conjunto probatório, o Ministério Público defende a manutenção integral da cassação dos diplomas de José Gentil Rosa Neto e do ex-prefeito Fábio Gentil, além da inelegibilidade de ambos por oito anos.

A única ressalva feita pelo órgão diz respeito ao vice-prefeito eleito, Eugênio de Sá Coutinho Filho. Para o MPE, não há provas de sua participação direta nos ilícitos, motivo pelo qual opinou pela retirada da inelegibilidade, mantendo, contudo, a cassação do diploma em razão da indivisibilidade da chapa.

O parecer reforça que as irregularidades comprometeram gravemente a legitimidade das eleições em Caxias, atingindo diretamente os princípios da moralidade e da normalidade do pleito.

Fonte: Neto Ferreira

Diretor brasileiro de Itaipu garante tarifa reduzida em 2027

As negociações em torno do Anexo C do Tratado de Itaipu, entre Brasil e Paraguai, caminham para definir uma redução no valor da tarifa de energia gerada pela usina hidrelétrica binacional, uma das maiores do planeta, a partir de 2027. A informação é do diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, que concedeu em entrevista a jornalistas na sede da empresa, em Foz do Iguaçu (PR), nessa segunda-feira (13).

“A ideia é que, no máximo em dezembro desse ano, a gente possa anunciar a tarifa para o ano que vem ou para os próximos anos, depende da negociação e como se monta isso. Mas uma coisa é certa, a partir do ano que vem seremos a menor tarifa do país”, garantiu Verri.

O diretor-geral brasileiro lembrou que, em 2024, foi assinada ata entre os dois países prevendo que o valor da tarifa da energia da hidrelétrica consideraria apenas os custos operacionais da usina, ficando entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt/mês (kW/mês).

O Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse) de Itaipu entre os anos de 2024 e 2026 foi definido previamente em US$ 19,28 kW/mês, aprovado pelo Conselho de Administração da usina. Porém, a tarifa comercializada pelo lado brasileiro é de US$ 17,66 kW/mês, viabilizada por um aporte extra de Itaipu, no valor de US$ 285 milhões, de forma a assegurar a modicidade tarifária.

Essa estrutura tarifária está em vigor nos últimos anos por um acordo temporário e vale até o fim dezembro, quando os dois sócios definirão a nova modelagem tarifária. No caso brasileiro, a tarifa de repasse é o valor a ser pago pelas distribuidoras cotistas para aquisição da energia da hidrelétrica, que é comercializada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).

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O Tratado de Itaipu foi firmado entre dois países em 1973 e previa que, após 50 anos, haveria uma revisão do Anexo C, que regula as bases financeiras da usina e as regras para precificação e prestação dos serviços de eletricidade. A geração de energia a partir de Itaipu é igualmente dividida entre Brasil e Paraguai, mas o país vizinho não consome toda a sua cota de 50% e, por isso, tem interesse em aumentar o valor da tarifa. Já do lado brasileiro, o interesse vai no sentido oposto e o objetivo é oferecer energia mais barata aos consumidores. A Itaipu representa cerca de 8% da energia consumida pelo Brasil.

Foz do Iguaçu (PR), 13/04/2026 - Enio Verri, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, nas instalações da Itaipu. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Enio José Verri, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, diz que quanto mais barata for a energia, maior inclusão social – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

“Para nós, política pública é energia barata, porque quanto mais barata for essa energia, mais inclusão social. Energia barata é para dona de casa, para o trabalhador, para o estudante. E para indústria também. Agora, o Paraguai espera esse preço alto para financiar o seu desenvolvimento. Que, sob a ótica do país, não há muito a se discutir também. Coloque-se no lugar de um país que quer se desenvolver”, disse Verri.

Ao comentar as posições na mesa de negociação, ele afirmou que o Paraguai tem números positivos, está avançando e espera ter a receita de Itaipu para investir na estrutura, na construção. Uma das possibilidades em negociação é que a cota paraguaia da energia gerada pela usina possa ser vendida no mercado livre de energia do Brasil, diretamente para distribuidoras e empresas.

Pelo tratado bilateral, as decisões da diretoria de Itaipu, composta por seis diretores brasileiros e seis paraguaios, devem se dar sempre por consenso. “Tem que ter muita negociação e, claro, é preciso muito cuidado no trato”, acrescentou. Os termos da revisão do Anexo C estão sendo negociados diretamente pelas altas partes do país, que envolvem chanceleres e ministros de Minas e Energia dos dois lados. Além disso, a revisão do tratado, quando for concluída, ainda precisará ser aprovada pelos parlamentos dos dois países

Com 20 unidades geradoras, de 700 megawatts (mW) cada, e 14 mil megawatts (MW) de potência instalada, Itaipu é a terceira maior usina hidrelétrica do planeta em capacidade, mas costuma estar no topo entre as que mais produzem energia anualmente. Responde por 8% da demanda do mercado brasileiro e 78% do mercado paraguaio.

Atualização tecnológica

Atualmente, a hidrelétrica passa por um processo de atualização tecnológica. Os detalhes foram apresentados durante visita às instalações da usina, a convite da Itaipu Binacional. O plano começou a ser executado em maio de 2022 e prevê 14 anos de implementação, com conclusão em 2035 e cerca de US$ 900 milhões em investimentos totais previstos. Equipamentos eletromecânicos pesados, como turbinas, bem como a própria barragem, com quase 200 anos de vida útil, não são incluídos no projeto, pois, segundo a empresa, estão em excelentes condições e passam por rigorosas manutenções programadas.

As mudanças ocorrerão principalmente em equipamentos eletrônicos, alguns ainda analógicos da década de 1980, e nos sistemas computacionais. Também estão previstas a modernização do centro de controle, de cada uma das 20 unidades de geração de energia, a reforma de uma subestação de energia elétrica e a construção de almoxarifados para armazenar equipamentos.

A Itaipu Binacional ainda estuda a possibilidade de aumentar a geração de energia, com a eventual instalação de mais duas turbinas, o que demanda complexos estudos de impacto socioambiental e econômico, ou até o aumento da produtividade das atuais unidades geradoras.

“Quando elas foram feitas, 20 anos atrás, a ciência estava em um grau. Hoje, a ciência é outra. Então, você pode aumentar a produção ou a produtividade. Estamos preparando uma licitação para contratar um estudo internacional sobre isso”, disse Enio Verri.

*A reportagem viajou a convite da Itaipu Binacional. Fonte: Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil