O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) manteve o prazo de 180 dias para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) concluir o Relatório Técnico de Identificação e Demarcação (RTID) da comunidade quilombola Cariongo, em Santa Rita, no Maranhão.
A decisão foi uma das duas obtidas pelo Ministério Público Federal (MPF) em processos envolvendo direitos de comunidades quilombolas. No outro caso, o Tribunal manteve a anulação da aprovação dos estudos de inventário hidrelétrico do Rio Jauquara, em Mato Grosso, por falta de consulta prévia às comunidades afetadas.
Comunidades no Rio Jauquara
A 11ª Turma do TRF1 negou, por unanimidade, os recursos apresentados pela União, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pela Fundação Cultural Palmares e pela empresa Prospecto Participações e Negócios.
O colegiado manteve a decisão que invalidou o processo administrativo do inventário da usina hidrelétrica e o despacho da Aneel que aprovou os estudos. Também foi mantida a determinação para a realização de novos estudos socioambientais e de consulta prévia, livre e informada às comunidades quilombolas potencialmente afetadas.
O MPF argumentou que os estudos não avaliaram adequadamente os impactos do empreendimento sobre as comunidades e não seguiram as diretrizes do Manual de Inventário Hidrelétrico. Segundo o órgão, a escolha da alternativa de queda para a implantação da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) influencia as etapas seguintes do projeto.
O Tribunal destacou que a fase de inventário não tem caráter apenas descritivo ou cartográfico. A escolha do aproveitamento hidroenergético pode condicionar as etapas posteriores e influenciar os impactos socioambientais do empreendimento.
Por isso, a consulta prevista na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) deve ocorrer antes da aprovação do inventário, e não apenas durante o licenciamento ambiental. Segundo o entendimento do TRF1, a participação das comunidades precisa ocorrer antes de decisões administrativas que possam afetá-las.
A bacia do Rio Jauquara abriga 16 comunidades quilombolas nos municípios de Porto Estrela, Barra do Bugres e Nossa Senhora do Livramento, em Mato Grosso. Cinco ficam no entorno do empreendimento: Camarinha, Cãozinho, Baixius, Morro Redondo e Vaca Morta.
As comunidades temem que as intervenções alterem o curso do rio e prejudiquem seus modos de vida.
Comunidade Cariongo
No Maranhão, a 12ª Turma do TRF1 negou, por unanimidade, o recurso do Incra e manteve a sentença que determinou a conclusão do RTID da comunidade quilombola Cariongo em até 180 dias.
O procedimento administrativo começou em 2005, mas não foi concluído após anos de tramitação. Para o MPF, a demora caracteriza omissão injustificada do poder público e viola o princípio constitucional da razoável duração do processo.


/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/X/S/YHDjYhTFizu68OBvZByA/whatsapp-image-2026-10-28-at-19.40.03.jpeg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/M/3/rFxprOTvaI8g8NC10HuA/montagens-1920-x-1080-px-12-.png)

/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/8/Z/2zF3r7Ti2U71wI1CrOdw/montagens-1920-x-1080-px-5-.png)
















